Erostides Borges Neto

Na noite de Natal recordemos aquela historia que para nossos Espíritos equivocados, encarnados e desencarnados, representa um bálsamo, uma consolação, uma esperança de inesquecível beleza e profundo valor moral.
Recordemos, portanto, alguns acontecimentos, daquela que foi, é e será sempre a maior historia de todos os tempos da humanidade, pois , é uma história que não vem dos homens, mas de Deus.


Estamos falando do Natal de Jesus, a história do nascimento do Cristo há mais de 2000 anos lá na distante e sofrida Judéia.
Nenhum outro ser que veio a este mundo teve o seu nascimento anunciado alguns séculos antes: Só Jesus o teve.
Assim é que, naqueles tempos longínquos a esperança geral do povo hebreu era a vinda do Messias Prometido.
Conta-nos o Espírito Emmanuel/ Chico Xavier, que a Epopeia do Evangelho foi prevista e cantada alguns milênios antes da vinda do Sublime Emissário:
No Antigo Testamento encontramos a palavra profética do povo hebreu.
Assim o profeta Jeremias (580 anos AC) em Judah escreveu:
“Eis que virão dias em que se levantará a casa de Davi, um novo Justo que praticará o Juízo e a Justiça na Terra”.
Outro profeta Miqueias (716 AC) escreveu: “E tu, Beth- leem, Ephrata, ainda que pequenina entre centenas de cidades de Judah de ti sairá aquele que será Senhor de Israel e de todos os povos”.
Poderíamos citar outros profetas que fizeram a mesma profecia: Zacarias, Davi, Daniel, Malaquias.... Isaias escreveu ( 740 AC):
“Eis que a Virgem conceberá e dará a luz um filho que se chamará Emanuel Deus Conosco”.
Esta era, pois, naqueles tempos a esperança geral do povo hebreu: O Messias.
“ Uma santa intuição clarificava o Espírito divinatório das massas populares...
Diz Emmanuel: “cinco séculos antes da vinda de Jesus o próprio Cristo envia à Terra numerosa coorte de Espíritos sábios e benevolentes às regiões e cidades mais populosas; são grandes mestres do cérebro e do coração, encarnados principalmente na Grécia. São eles Sócrates, Platão, Aristóteles, Hipócrates, Pitágoras, Péricles, Heródoto, Demócrito, Tales de Mileto, general Aristides considerado o Pai da honestidade”.
O tempo passou... vieram dias em que mais do que nunca uma haura, uma luz de expectação acordou toda a Natureza, um mudo e singular anseio no coração dos homens. As vozes dos profetas tinham soado, advertindo a todos sobre o advento miraculoso e até mesmo o local do divino nascimento já estava determinado.
Estava-se no século de César Augusto e o império Romano, todo poderoso, através das legiões de soldados, dominava à força o mundo da época, inclusive a Palestina. Com o passar dos dias a expectativa pela chegada do Messias era maior e geral em toda a Judeia.
Rumores circulavam de boca em boca que alguma coisa extraordinária estava para acontecer e que modificaria o mundo para sempre.
Conta-nos o evangelista Lucas conforme ele ouviu da própria Maria de Nazaré, a mãe de Jesus, na cidade de Éfeso, a seguinte narrativa que encontramos nos capítulos I e II por ele escrito.
Naquele dia, em Nazaré, pequenina cidade da Galileia, Maria, uma jovem judia foi escolhida como esposa, por José pertencente à casa de David.
Ela recebe a visita do Anjo Gabriel, espírito elevado que se apresente à Maria dizendo: Salve agraciada, o Senhor é contigo, bendita és tu entre as mulheres. Ao vê-lo ela se emocionou muito com aquelas palavras e considerava que saudação seria essa?
Disse-lhe então o Anjo:
“Maria não temas, porque achaste graça diante de Deus. E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado o filho do Altíssimo”.
Então disse Maria ao Anjo:
“ Como se fará isso visto que não coabitei com homem algum?
Respondendo, o Anjo disse-lhe: “descerá sobre ti o Espírito Santo e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o santo que de ti há de nascer será chamado o filho de Deus. E eis, que Izabel, sua prima concebeu um filho em sua velhice, e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril porque para Deus nada é impossível.
Disse então Maria:
Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.
E o Anjo se ausentou.
Nesse instante em que Maria pronunciou o “Faça-se...” aconteceu alguma coisa ainda mais grandiosa que o “ Faça-se a Luz da Criação” porque a Luz criada nesse instante não era o Sol que brilhava na Terra, mas “ O Espírito de Luz , o filho de Deus que encarnava entre nós para afastar as trevas ... as sombras da ignorância sobre os homens”.
Em sonho o Anjo do Senhor diz a José (segundo Emmanuel)
“José, filho de Davi, não temas receber Maria, pois o que nela foi concebido veio do Espírito Santo”.
José da Galileia era um homem de bem, tão profundamente espiritualizado que seu vulto sublime escapa às análises limitadas de quem não pode prescindir do material humano.
Embora honrado pela solicitação de um Anjo, nunca se glorificou de dádiva tão alta!
Não obstante contemplar o carisma que Jesus exercia sobre os doutores da lei, José nunca abandonou a sua carpintaria.
A José da Galileia deve-se o Cristianismo, a porta da primeira hora; mas José passou pelo mundo no divino silêncio de Deus!
Lucas, evangelista narra:
E naqueles dias, levantou-se Maria, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá...
Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel, que na sua velhice esperava um filho... Ao ouvir a saudação de Maria, Isabel exclamou em alta voz dizendo:
“ Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto de teu ventre”!
Em resposta Maria lhe disse o mais belo cântico que já saiu dos lábios de uma criatura:
“ A minha alma engrandece o Senhor!
E o meu Espírito se alegra em Deus meu salvador!
Porque atendeu na pequenez de sua serva;
Eis que de agora em diante todas as gerações me chamarão Bem Aventurada!
Porque me fez grandes coisas, “O Deus todo poderoso” e Santo é o Seu nome...
E Sua misericórdia cairá de geração em geração sobre os que o amam!...
Esse é o famoso cântico que anunciava a transformação moral que o Cristo iria desencadear, rebaixando os poderosos, os dominadores, os orgulhosos e egoístas ...
Exaltando os humildes, os fracos, os pequeninos, os pobres de Espírito, os misericordiosos.
Maria ficou com Isabel durante quase três meses... e depois voltou para sua casa, em Nazaré, na Galileia.
E foi nessa época, que o Império Romano...determinou que se proclamasse em todas as cidades, inclusive na pequena aldeia de Nazaré, um edito (convocação) para que todos os habitantes se dirigissem às cidades grandes de onde suas famílias se originavam, a fim de se registrar. Era o Censo, contagem dos habitantes de todo o Império Romano.
José, humilde carpinteiro, descendente obscuro do grande rei David, foi obrigado a registrar-se, juntamente com Maria, em Belém, na Judeia, em nome da obediência e disciplina.
A viagem foi longa para o casal que teve de enfrentar estrada poeirenta... sucederam-se abismos, montes subidas e descidas...
Chegando a Belém depararam com grande movimento; Andaram de casa em casa a procura de alojamento, sem encontrar hospedagem.
Maria estava cansada, a viagem fora longa e o Filho amado estava para nascer. Aquele que conhecia e trabalhara essa Terra, desde os tempos longínquos do princípio! “Espírito puro, que se preparara centenas de anos para imergir nos fluidos grosseiros deste planeta.
Infelizmente não havia lugar nas hospedarias para Aquele que viria ao mundo para ser a hospedaria de todos os corações aflitos.
Por fim, José e Maria, exaustos, procuraram abrigo fora da cidade, nas cercanias de Belém onde encontraram uma “gruta cavada” na encosta de um monte onde os pastores e seus animais se abrigavam das tempestades.
Era noite alta, quase madrugada...
Tendo completado os dias em que Maria deveria dar a Luz o Messias, aquele abrigo, um estábulo, uma manjedoura, junto aos animais, acolheu o filho amado! Ali nasceu Jesus!
O estábulo, segundo monsenhor Fulton Sheen, seria o último lugar no mundo onde alguém iria procurar o Messias tão esperado; porque a divindade está sempre colocada onde menos se espera encontrar.
O Espírito Emmanuel, afirma convicto, em seu livro A Caminho da Luz :
“A manjedoura assinalava o ponto inicial da lição salvadora do Cristo, como a dizer que a humildade representa a chave de todas as virtudes. Embora, escritores materialistas de todos os tempos tentaram e ainda hoje tentam vulgarizar o extraordinário acontecimento da manjedoura e sobre tudo os altos fenômenos mediúnicos que o precederam.
Começava, assim a era definitiva da maioridade espiritual da humanidade terrestre, uma vez que Jesus, com a sua exemplificação divina entregaria o código da fraternidade e do amor a todos os corações de boa vontade”.
Continua o Espírito Emmanuel em suas consoladoras palavras:
Ainda sob a emoção daquela noite de paz e luz o Natal, o nascimento de Jesus deve ser vivido por todos nós, espíritas cristãos de tal modo que:
“ Façamos a nossa reforma íntima;
Aumente-nos a fé;
Restaure-nos a esperança;
Derrame o balsamo da bondade divina sobre as nossas preces a fim de que venhamos ouvir de novo entre lágrimas de júbilo que vertem de nossas almas a sublime canção que os céus glorificaram aquele berço de palhas ao clarão das estrelas, quando os Anjos do Senhor anunciaram àqueles pastores humildes, o nascimento do Cristo, naquela noite maravilhosa:
“Glória a Deus nas Alturas,
Paz na Terra
E boa vontade para com os homens”.
De acordo com o evangelista Lucas, oito dias depois, conforme a lei de Moisés, o menino foi circuncidado, e deram-lhe o nome de Jesus conforme anunciara o Anjo antes de ser concebido.
Segundo a lei de Moisés, toda mãe que desse a luz um filho varão, deveria se apresentar, juntamente com o filho, no templo de Jerusalém para serem purificados... E daquele casal pobre foi cobrado um par de rolas ou dois pombinhos para fazerem a oferenda.
Justamente nesse dia, estava a serviço no templo, um sacerdote israelita piedoso, bom e justo, chamado Simeão que, curvado ao peso dos anos gozava da promessa do Senhor de que não desencarnaria sem antes ter visto o Messias prometido!..
E, o velho Simeão, tomando menino Jesus em seus braços, de olhos súplices aos céus exclamou:
Agora, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra, pois os meus olhos já viram a salvação!
Logo após a glorificação da manjedoura... e depois da apresentação de Jesus juntamente com sua mãe no templo de Jerusalém para serem purificados, viu-se a família rodeada de agitações...
Avisada por um Anjo, a família de José teve de fugir para o Egito a fim de preservar Jesus; pois Herodes, sabendo que os Magos procuravam por um rei que acabara de nascer, mandou fossem exterminadas todas as crianças até dois anos de idade, que habitassem Belém e arredores.
Após a morte de Herodes, orientados por um Anjo, a família voltou para Nazaré, na Galileia.
E hoje, 2000 anos depois, dezembro continua sendo o mês evocativo do nascimento de Jesus. Todavia, é bom lembrar que entre os romanos o dia 25 de dezembro marcava a entrada do inverno europeu; era a festa de Mitra, a divindade que representava o Sol. Então, do dia 22 ao dia 25 de dezembro, todos se reuniam em torno do templo, na cidade de Roma. Ali se montavam barracas... comia-se e bebia-se até não poder mais...! Era uma festa pagã, de orgia desenfreada.
Devido às perseguições que se seguiram após a crucificação de Jesus, até mais ou menos o ano 313 não havia uma data para se comemorar o nascimento de Jesus, pois a data verdadeira caiu no esquecimento. Então, aprovou-se a data de 25 de dezembro que foi aproveitada e imposta pelo imperador romano Constantino, o Grande, e aceita pelo pontífice Júlio, como data oficial do nascimento de Jesus.
Por que a imposição de Constantino?
A história registra que no ano 312 na batalha travada entre Constantino e Maxêncio, na ponte Milviana, às portas da cidade de Roma; a fim de decidir quem seria o imperador, apareceu no céu uma grande Cruz, de indescritível beleza emoldurada pela frase: In hoc signus vinces ( com este sinal vencerás)
Uma vez vencedor, Constantino chegou à conclusão de que a vitória lhe chegara graças a Jesus de Nazaré, o crucificado.
Confiante na invencibilidade da cruz ela passa a fazer parte de seus estandartes.
No ano seguinte, 313 em Milão, Constantino promulga o famoso edito que dava plena liberdade de culto aos Cristãos. A partir de então o Cristianismo passou a ser a religião oficial do império.
E o 25 de dezembro foi destinado à comemoração do dia do nascimento de Jesus.
A partir dessa data, diz o Espírito Manoel Philomeno de Miranda, em trilhas da Libertação, psicografia de Divaldo P. Franco: “ O Cristianismo primitivo, puro começou a morrer... o martirológio foi substituído pelo destaque social... o dinheiro comprou coisas, pessoas e até o Reino dos Céus, aliciando mercenários para manter a hegemonia da fé.” (Trilhas de libertação, Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Franco)Os séculos transcorreram...
E o Espiritismo, cumprindo a promessa de Jesus, traz à luz Consolador prometido, com a publicação de O Livro dos Espíritos em 18 de abril de 1857.
Allan Kardec, o Codificador dessa doutrina consoladora, colaborou plenamente com a restauração do Cristianismo, revivendo o Evangelho de Jesus em sua pureza.
Para nós, espíritas cristãos, que amamos e reverenciamos o Mestre com a fé raciocinada que a doutrina nos proporciona, não nos preocupamos com data; pouco importa se a data está ou não correta; se 25 de dezembro representa corretamente o dia do nascimento do Cristo.
O importante para nós é o testemunho histórico de algumas pessoas relevantes do Cristianismo, daqueles tempos apostólicos, os nossos Astros de primeira grandeza... (Em Torno do Mestre, Vinicius, Pedro de Camargo)
Assim sendo perguntemos a Maria de Magdala onde e quando Jesus nasceu... e ela nos dirá:
Jesus nasceu naquela noite, em Cafarnaum, em casa de Simão Pedro, quando após, rápido diálogo com o Mestre, percebi estranha e poderosa transformação íntima!
Carregando em minha alma a mais profunda advertência:
Vai e não tornes a pecar para que o pior não te aconteça!”
Perguntemos a Zaqueu, o publicano, quando e onde Jesus nasceu, e ele nos dirá:
Jesus nasceu naquele instante, lá na entrada de Jericó quando o Mestre me acena e manda que eu desça do Sicômoro e em seguida me diz que importava ser hóspede em minha casa...
Perguntemos a Simão Pedro onde e quando Jesus nasceu e ele responderá:
Jesus nasceu naquela madrugada, no átrio do palácio de Kaifás, quando o galo cantou e... pela terceira vez eu neguei o Mestre.. Foi então que senti acordar para a verdadeira vida e nunca mais vacilei...!
Perguntemos a Tomé, o apóstolo incrédulo onde e quando Jesus nasceu e ele nos dirá:
Jesus nasceu naquele dia inesquecível em que, ressuscitado o Mestre manda que eu coloque o dedo em Sua chaga então testifiquei que a morte não tinha poder sobre o Filho de Deus.
Perguntemos a João, o Evangelista, onde e quando Jesus nasceu e ele responderá:
Jesus nasceu naquele dia em que, iluminado pela Divina Luz, ao pé da cruz, me fez saber que Deus é amor!
Perguntemos a Paulo de Tarso onde e quando Jesus nasceu e ele nos dirá:
Jesus nasceu naquele dia, na estrada de Damasco, quando envolvido por uma Luz maravilhosa, sofri radical mudança em minha vida , a tal ponto que “ já não sou eu mais quem vive, mas o Cristo Jesus que vive em mim!”
Portanto, perguntemos a nós mesmos:
Quando e onde Jesus nasceu em nossos corações?
Diante de testemunhos incontestáveis esse é o instante de abrir nossos corações para que ali, Jesus faça morada.
Nestes dias sombrios quando longo inverso se abate sobre a Terra e o homem tomba em triste noite moral... Nós rogamos:
Volta, Divino Amigo Jesus! Repete a noite inesquecível do teu Natal entre os homens, como há vinte séculos atrás!
Conduza-nos, definitivamente ao teu rebanho, pelos rumos da verdadeira vida... Que é a vida do Espírito imortal.
Volta, Divino Amigo Jesus! E diante da manjedoura que nos descerra o coração, ensina-nos a abrir os braços para receber-te!
Volta, Divino Amigo Jesus! E fortalece-nos o bom ânimo...
Reaviva-nos a fé...
Induz-nos à confiança e à boa vontade.
Defenda-nos contra os vermes da vaidade e Ampara-nos contra as serpentes do orgulho, conduzindo-nos sempre ao caminho do trabalho digno e da humildade.!

Bibliografia
1.O Antigo e O Novo Testamento;
2. A Boa Nova, Humberto de Campos/Chico Xavier;
3.O Consolador, Emmanuel/Chico Xavier;
4. A Caminho da Luz ; idem
5. À Luz da Oração, Espíritos diversos/ Chico Xavier;
6. A Vida de Cristo, Fulton Sheen
7. História Antiga e Medieval, Tabajara Pedroso
8. Luz do Mundo, Amélia Rodrigues/Divaldo P. Franco
9. Trilhas da Libertação, Manoel Philomeno de Miranda, psic. Idem
10. Levantar e seguir, Emmanuel / Chico Xavier
11. Em Torno do Mestre, Pedro de Camargo ( Vinícius)


Palestra realizada por Erostides Borges Neto, em 18/12/2019, no Centro Espírita Fé, Amor e Caridade